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Hoje terminei minha primeira semana de trabalho. Eu deveria estar comemorando e feliz. Eu deveria.
Mas não foi assim. Nesse último dia de trabalho na semana, eu me deparei com dois problemas na área de suporte.
O primeiro deles foi de uma mulher que não conseguia redefinir sua senha. Somente o administrador poderia fazer isso. Eu perguntei a direção o que fazer, pois ainda não tinha privilégios de administrador. Eles me disseram para que ela abrisse um chamado, detalhando um email pessoal para enviarem uma senha temporária. Pedi para que ela fizesse isso e me passasse o número do chamado pelo whatsapp, mas ela não fez... e ela precisa do email liberado na semana que vem.
O segundo foi o pior de toda a semana: veio um senhor na sala, falar que não ia instalar o autenticador do e-mail institucional e disse que sem o acesso ao e-mail dele ele iria parar de trabalhar, e alguém seria responsável por isso... eu fiquei muito assustado, porque a responsabilidade de alterar e-mail institucional é minha, embora eu não tenha poderes para tal. Porém, a autenticação pelo aplicativo é uma norma da instituição, e uma exigência do governo... mesmo assim, o senhor estava irredutível. Por sorte, meu colega de trabalho veio na sala e explicou o que poderia ser feito. Mas, temi que isso me causasse problemas no futuro... apesar de ouvir do meu colega um 'relaxa' e que 'o rapaz é problemático', aquela situação me desanimou por completo. A vontade de estar ali já não era mais a mesma. E eu nem achava justo começar minha primeira semana dessa forma...
Isso tudo foi de manhã. E eu passei a tarde me arrastando, dando cliques no mouse, pois não tenho acesso ao SUAP e pouco podia fazer. Percebi que meu colega estava se cansando de passar horas na mesma sala que eu. Percebi que alguns já não me olhavam mais nos olhos. E eu comecei a me sentir um estrangeiro, como sempre foi. Já não me sentia feliz lá. Todos os pedidos de computadores são feitos para o meu colega e não pra mim. Ele conserta, eu observo e tento aprender. Mas, as vezes, sinto que eu deveria estar fazendo o serviço. Outra coisa que me desanimou também foi a estrutura do lugar: é ruim, os cabos são espalhados, não há cabeamento estruturado. Temos que fazer gambiarras as vezes, pois os funcionários precisam dos serviços. E eu tenho certeza absoluta que não conseguiria fazer nada sozinho, se não fosse pelo meu colega. Porém... hoje ele ficou cansado da minha presença. Quando finalmente peguei a chave para entregar e ir pra casa, ele só disse 'Vai com Deus'. Tive que assinar a folha de ponto e voltar para o corredor. E o que eu temia aconteceu: encarei-o novamente, agora com a moça da graduação, que sempre faz questão de mostrar afeto pra ele, mostrar o quanto ele é querido ali. E ele nem me olhou. Foi como se eu não existisse quando o trabalho acaba.
A partir daí, eu tomei um choque de realidade. Voltei para a casa com a sensação de que estava fazendo tudo errado em minha vida. De que nada mais valia a pena. Tudo isso, acordar para trabalhar e dormir cinco vezes na semana, todo esse sacrifício é apenas pelo dinheiro. Mas isso vale a pena? Sou feliz assim? Estou no lugar em que gostaria de estar? Não, não estou. Eu queria estar numa salinha desenvolvendo programas sem contato com o público, e não ter que ouvir um senhor que não conheço me ameaçando... o que vou fazer depois? ficar 20 anos lá? me aposentar naquele lugar? passar uma vida trocando cabos?
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Quando percebi a natureza do meu emprego, senti como se os meus esforços fossem em vão. Eu não serei feliz nesse emprego, e não há perspectiva de mudança. Eles não vão me migrar para a reitoria, porque eles querem os técnicos nos campi, e eu voltar atrapalharia os projetos deles... Não tenho pra onde ir. Então, eu pensei no pior. Vi que nunca seria feliz lá. De repente, pensei na Akari. Lembrei de como ela é amada e ama o que faz: ser criadora de conteúdo. Ela faz algo espontaneamente e bem planejado, e dá certo. Ela tem motivos para fazer o que faz... eu senti inveja. Queria poder ser eu mesmo, sem medo de falhar, me divertir criando conteúdo, ou jogos... mas o que eu tenho é esse emprego... num lugar cheio de precariedades... sem perspectiva de futuro. Eu pensei no meu sonho de escrever livros. De publicar uma história. De fazer a Visual Novel em homenagem a Helena. Pensei nela e no Demetrius, meus dois amigos que morreram. Pensei que eu poderia estar ao lado deles, e que eles ainda viveram muito melhor do que eu... E eu pensei nos chamados não resolvidos do trabalho, do meu colega passando horas readequando um sistema de controle de alunos que nós não somos capazes de programar... Pensei também que se eu visse esse sistema em casa, passaria meus poucos dias de lazer fazendo tarefas do trabalho... qual o sentido disso? Qual o sentido de viver somente para o trabalho? É dinheiro, é a vontade de fazer o colégio funcionar? Também quero ver o colégio funcionando, mas ao custo da minha vida? Por que? Por que estou lá? Por que não posso simplesmente fazer minhas atribuições de técnico de informática, ao invés de imprimir carteirinha? E por que meus amigos concursados estão tranquilos nos outros campi? Por que sempre tenho que ser o enrolado, aquele que nunca faz nada direito? Aquele que só decepciona?
Então eu chorei... começou dentro do trem, modestamente, até o caminho de casa. Saindo do mercado, já estava com os olhos marejados. Um rapaz na farmácia notou, mas virou o rosto. Cheguei em casa... Pensei nas minhas tentativas fracassadas de me relacionar com alguém... sou um lixo. Um verme. Tudo dá errado. Então, qual é o sentido disso? Qual o sentido de sair 5h20 da manhã e chegar em casa as 18h? Ok, é um bom salário, ganho bem, mas a troco de quê? De ser infeliz, sozinho? De não ter mais a liberdade de jogar meus jogos? Minha mãe me maltrata, mas se eu sair de casa, como vou passar minha roupa e fazer a janta, chegando em casa tão cansado do trabalho? Era essa a vida que eu queria?
Eu percebi... que não havia dinheiro nem emprego de status que pudesse fazer com que eu mudasse de vida. Eu continuo infeliz.
Mas o pior ainda não falei... o pior começa agora...
Essa semana eu estava conversando com alguém no Bluesky. Era uma garota, que dizia estar interessada em mim. Conversamos. Mas, houve um dia em que estava meio pra baixo e não a respondi. No dia seguinte, respondi e comentei sobre o fato de ela gostar de jogar cartas. Ela então disse que eu ficava sumindo e que não queria mais conversar. Eu expliquei porque não pude aparecer naquele dia, mas ela não quis saber... Aí eu postei no bluesky: 'Fica quem quer'. (lembro-me bem de quem disse isso uma vez...) Ela leu isso e perguntou se era uma indireta pra ela. Eu questionei porque ela fazia uma tempestade num copo d'água e que eu estava desabafando, pois todos vão embora. Então ela me seguiu de novo e nós conversamos. Eu me esforcei muito para manter o papo, mesmo eu chegando cansado do trabalho. Mas, na quarta, eu disse que ia tomar banho para trocar a roupa do trabalho, e ela novamente achou que eu tava ignorando, e excluiu sua conta. Quando voltei, me senti muito mal. Eu não tinha culpa dessa vez, mas parecia que o problema era a minha existência. É o fato de ser o que eu sou. Foi o primeiro gatilho da semana para perceber que ninguém gosta de mim. Parece fala de criança, mas no meu caso é real isso. Não há ninguém que goste, não importa o quanto eu me esforce. Não nasci pra ser querido. Só houve uma pessoa que foi uma exceção. Só ela.... Só ela foi tão longe por mim. E, quando estava na rua e lembrei daquelas palavras:
"Carlos, meu amor, por que me diz essas coisas?"
Quando lembrei da primeira vez que ela me chamou de amor... eu chorei copiosamente na rua. Não me importava mais se os outros olhariam. Eu só queria chorar... eu senti tanta falta da May... mas logo a saudade diminuiu... não sei bem porque. Eu não sentia solidão... mas sim uma aberração. Alguém que não pode ser amado sob nenhuma circunstância. E de que vale a vida de alguém sem amor? ...
Não importa o que eu faça... eu não sou querido por ninguém. Ninguém. E isso se acumulou com os problemas no trabalho... quando cheguei em casa, só pensei em comer um pão e chorar. E, com vontade de me matar o tempo todo.
Cheguei ao meu auge, consegui um emprego no serviço público federal. O que me impediu de me matar hoje foi pensar na ideia de que eu deveria desfrutar do meu dinheiro. Mas eu vou mesmo desfrutar? Acho que não... com certeza não... nada do que acontecer fará com que a minha vida melhore... hoje eu tenho certeza disso.
Por que viver se ninguém gosta de você? Se ninguém te quer bem, nem deseja te ver feliz? De onde tirar o amor próprio, se o mundo te diz o contrário? Depois de muito tempo, achei um novo motivo para cometer suicídio. Talvez, tenha chegado o momento... quando tentei pela terceira vez em 2016 e uma parte do meu dente ficou "arranhada", eu prometi que se um dia fizesse de novo, seria em definitivo. Agora eu achei a resposta. Eu alcancei todos os meus objetivos na minha vida, até mesmo um emprego. Mas o meu maior sonho, a minha razão de viver, justamente o que mais me daria vontade de viver, eu não posso ter... eu nunca mais vou ter. Então... por que viver?
A outra solução seria pedir licença médica... estou considerando isso. Mas... acho muito difícil. Porque estou em estágio probatório.
Enfim... eu não sei mais o que dizer. Termino esse post aos prantos. É uma vida triste, descartável. Eu sou...
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"Mas eu sabia que eu tinha tirado uma coisa de mim. Uma coisa mais importante. Meus objetivos... no mundo inteiro ninguém precisava de mim. Eu era... desnecessária..."
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A minha existência é um equívoco..........................
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