Bom dia. Só queria começar o post com um 'bom dia' mesmo.
Chegou a hora de escrever em resumo tudo o que aconteceu nessa primeira semana de trabalho, que não foi bem trabalho assim... Eu vou tentar resumir dia por dia, apesar de que não foi muito diferente. Começando pela terça-feira:
1º dia
Foi a primeira vez que eu fui sozinho até a reitoria. Muita gente esperando na recepção, todos muito felizes. Eu estava recluso como sempre, mas nem tanto tenso, pois acreditava que também era um momento para me sentir contente como eles. Subimos muitas escadas (não por acaso o colega do grupo que já trabalha lá nos informou que as escadas era para os "crossfiteiros") ... o auditório era enorme, mas com cadeiras mais modestas... nada que atrapalhasse o conforto. Atrás de nós havia duas mesas gigantes, que seriam preparadas para o coffee break. Começa a recepção. Vejo a diretora do RH discursando, a mesma pessoa que eu via nos vídeos do degrau cultural... fiquei encantado. Foi um dia de muitas palestras e o ar-condicionado estava gelado, então comecei a sentir dor de cabeça, mesmo bem agasalhado. No intervalo, fiquei esperando sozinho na portaria até que um dos rapazes de TI veio me convidar pra almoçar. Eu agradeci, mas disse que não estava com fome. Ele entendeu e foi embora, enquanto eu me perguntava se era a coisa certa a se fazer, se eu não deveria ter ido mesmo sem ter o dinheiro do almoço. Até que outro rapaz de TI, o L., me procurou. Ele insistiu para eu ir, mas se eu não quisesse tudo bem. Eu disse então que iria, mas só pra acompanhá-los. No fundo, seria inevitável nosso futuro contato. E, embora eu ainda me sinta excluído e muito diferente dos demais, sei que não tenho como continuar fazendo as coisas sozinho: na área de TI, não temos como solucionar todas as coisas por nós mesmos. Colaboração é prática essencial para nossa... sobrevivência. E foi pensando em sobreviver que eu fui até o restaurante com eles. Muito envergonhado. Mas, ouvi coisas que me deixaram um pouco mais calmo - ver que alguns não tinham tanta experiência assim como eu (embora o meu caso seja muito pior...). Enfim, almoçamos. L. pagou a conta. Eu não queria que ninguém me pagasse nada, não gosto disso. Mas não pensei em mais nada quando sentamos à mesa. Quando me perguntavam algo, eu apenas acenava com a cabeça. Queria interagir, mesmo que fosse com o mínimo. E quando finalmente voltamos pro auditório, eu me tranquilizei, pois nossas cadeiras eram separadas. Cumpri o protocolo, assisti tudo até o final e voltei pra casa. Mas, à noite, decidi procurar o L. no grupo do zap e agradecer pelo almoço, e que gostaria de pagá-lo de volta. Ele respondeu de modo generoso, disse pra eu ficar tranquilo. É uma boa pessoa. Na verdade, até o momento, alguém com quem eu poderia fazer mesmo uma amizade.
2º dia
O pior deles. Antes de chegar no auditório, minha mãe e minha irmã tinham pilhado minha cabeça pelo fato de eu não ter pago o almoço. Me senti tão mal que preferi correr no intervalo pra não almoçar com eles. Apesar da minha irmã ter me passado uns cem reais no pix, preferi deixar para o valor da passagem, porque elas fizeram eu me sentir um monstro... se o dinheiro que eu tinha na terça não me fizesse falta, eu certamente teria pago o almoço! Mas, sobre esse dia, isso não foi o mais importante... esse dia foi o pior porque o ar-condicionado continuou muito gelado, ao ponto de eu me perguntar como tinha pouca gente reclamando. Não posso lidar com frio de ar-condicionado. Se eu ficar exposto por muito tempo, minha imunidade baixa, sinto dor de cabeça latejante e cansaço físico. Nós recebemos muitos brindes nesse dia e eu só consigo lembrar disso, pois eu saí de lá com tanto desejo de voltar pra casa que só anotei o que era mais importante. Chegando em casa, me deitei e não fiz mais nada. Por três horas fiquei deitado, me levantando as vezes. Sentia um frio descomunal, aquele tipo de frio que dói só de você tirar o cobertor. Só melhorou depois que eu tomei um dipirona. Pensei muito em desistir. Estava com tosse também, que está durando até agora. Mas, nesse dia, eu tive que aguardar até as 23h para enfim levantar da cama. Fui jantar e comi metade do prato (acreditem, eu larguei até batata frita!).
3º dia
Mesmo muito mal de saúde, decidi encarar. Não queria perder a palestra de segurança da informação. Conheci alguns de meus possíveis chefes e colegas do setor. Gostei do fato de ter entendido alguns termos. Mas fiquei muito preocupado que talvez eu precise me aperfeiçoar nessa área. Parece algo bem mais sério do que eu imaginava... enfim... novamente, eu evitei o almoço, mas continuei trocando ideia com o pessoal. Pra falar a verdade, além de mim tem mais 6 de TI, mas só conversei com 3 deles: o L., o outro L. e o D.. Tem o outro D. que falou comigo na sexta, mas ainda não me aproximei muito, e o E. é analista mas está conversando com a gente também, ele parece legal. Teve algumas cenas cômicas nesse dia. Por exemplo, o rapaz que passou em Adm. (o que me colocou no grupo do zap), foi ao banheiro mas eu ja tinha ocupado lá (tinha esquecido de fechar a porta), aí ele pediu desculpa e eu ficava repetindo 'foi nada'. E no final do dia, o L. veio falar comigo e me deu um tapa amigável nas costas, o bastante pra acionar meu mecanismo de tosse dobrada kkkkkk! Eu falava e tossia ao mesmo tempo! Pedi desculpas por tudo e peguei o elevador.
4º dia
Talvez o dia mais legal de todos. Descobri onde seria minha lotação. Caí numa cidade que não é nem perto nem longe de onde eu trabalho, mas foi a melhor das opções. Qualquer outra opção me deixaria desgastado e afetaria minha saúde. Nesse momento, quanto mais próximo de casa, melhor pra mim. Eu me senti realizado, como se Deus estivesse atendendo meus pedidos. E naquele momento, a máscara da vergonha caiu. Falei com o L. sem olhar pro chão, torcendo para que ele tivesse caído num lugar bom. Eu já sabia que nós não ficaríamos no mesmo campus. Ele vai para a capital, acho que em termos de carreira parece bom, embora ele quisesse ficar ali por perto mesmo. Ele me parabenizou. Os outros que mencionei aqui também. A maioria estava satisfeito com a lotação. Ver tantas pessoas realizadas me fez pensar que esse tipo de caminho que estou trilhando não cheguei a ver nem na época da UFRJ. É realmente algo único, apesar do caráter acadêmico e administrativo da instituição me lembrar muito a UFRJ. Mas ali todos parecem se sentir bem e confiantes, e até mesmo eu que não tenho essa natureza fiquei um tanto contagiado.
Esse foi o resumo. Poderia ser melhor, mas foi o que deu pra entregar hoje. Estou no grupo de TI também. Tudo ótimo até agora, certo? Bom... eu queria que fosse sempre assim, mas as coisas não são tão simples... na verdade, isso é só o começo. A partir de agora, começa o desafio. Eu vou ter que explicar a todos que é como se eu estivesse começando o meu primeiro emprego em TI. Eu estou muito atrás dos meus colegas, e não sei como serei supervisionado, não sei se ficarei sozinho no campus... se não tiver pelo menos um ali pra me ajudar, tudo será incrivelmente difícil e desafiador. Durante muito tempo estive me perguntando o que irei fazer quando não souber como solucionar as coisas? Quando alguém chegar na minha sala e pedir ajuda e eu não souber como consertar, vou dizer 'não sei'? Eu tenho um medo horrendo de falhar. E, não só isso, eu SEI que vou falhar. Se for sozinho e na base do se vira, não resistirei por muito tempo. Na semana que vem, farei uma semana de treinamento com o pessoal de TI. Eu preciso ter muita coragem de revelar minhas vulnerabilidades... eu preciso expor isso. Caso contrário, vai ficar difícil... ou... sei lá... só sei que... ainda não vejo esse conto de fadas. Ainda não me sinto seguro de um futuro melhor.
Bem... eu ia concluir, mas as coisas mudaram em casa. De novo sem água, mãe dando ataques. É melhor eu descansar um pouco...
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