É páscoa.

E como toda a páscoa, foi um inferno. Espero que tenha sido o último.

Mais uma vez, minha mãe não me deu paz. Eu fiquei bastante tenso e desconcertado. Engoli o choro e fui "seco" e frio nas minhas palavras, relembrando meus tempos de 2015 em que chorava ouvindo Chrono Cross.

Eu apenas aguardei o momento em que ela daria seu show. E ela deu. Foi mais ou menos as 17h da tarde. Os vizinhos riram. Ela reagiu, ironizando, dizendo que iria embora dali, falando de polícia, chamando nomes de pessoas que eu nunca conheci... e, pra variar, a câmera de segurança deu defeito. Corrigi o problema do HD no final do dia. Mas, enquanto isso não se resolvia, tive que suportar minha via crucis pessoal.

O que eu ando vivendo em casa também fez eu me afastar das pessoas que eu amo. Praticamente desisti de viver. Adicionei garotas com a intenção de ter uma companhia, mas é quase impossível, tendo que lidar com esses problemas. Minha última ex já confessava isso... se perguntava se talvez fosse válido eu namorar com tantos problemas...

É por isso que... eu aceito ter só uma companhia, como foi com a Sah. O ciúmes e a falta de diálogo me afastaram da Sah, é verdade, mas eu sei que não estou numa posição de pedir ninguém em namoro, e já falei sobre isso algumas vezes.

Enfim... num ato de fraqueza, desabafei sobre o que aconteceu com a minha irmã. Pedi desculpas, disse que segurei o desabafo até onde dava. Que chorei por três dias pensando no futuro, nas dívidas que irei herdar da minha mãe, que esse é o único legado que ela deixará pra gente. Que eu tinha medo das pessoas que invadiram a escola da minha mãe, medo de que elas nos perseguissem. E, por fim, disse que fiquei angustiado e atormentado com a possibilidade de nunca ser feliz, mesmo que eu consiga o emprego no concurso e tenha dinheiro; mesmo que um dia a minha mãe venha a partir, como todos vão um dia, e não me traga mais problemas; mesmo que eu arrume uma mulher e me case. Talvez eu nunca consiga ser feliz de verdade.

E, quando contei isso, minha irmã falou que perguntava a Deus todos os dias pq isso acontecia conosco. E que, se não fosse pelo filho dela, já teria partido também. Fiquei com o coração na mão quando ouvi isso... mas sinto, pelo espírito, que minha irmã também não aguenta mais o peso de lidar com os nossos pais... E que ela também se deu conta de todos o tempo desperdiçado que tivemos por causa do que suportamos...

Fiquei sem respostas. Mas, disse pra ela não desistir, que ela é importante pra mim, pro marido dela e pro filho dela. E que já sobrevivemos mesmo quando tudo parecia ir contra a gente. Então a conversa foi se dispersando, mudando de assunto até parar.

...

Acho que chegou o momento de eu dizer umas coisas aqui... de dedicar este espaço a mais desabafos... sinto que é necessário eu retomar o meu controle emocional... não só isso, sentir o fluxo emocional. Percebi que eu lia as mensagens das pessoas como se estivesse estudando, usando a técnica de "skimming". Essa foi uma técnica de leitura que aprendi na faculdade, e a ideia é pegar apenas o resumo e os pontos principais de um texto. Eu lia as mensagens "skimando" elas e não exatamente me envolvendo com elas. Eu estava errado.

Meu modo de interagir com as pessoas deve mudar, começando pelo modo como leio o que elas tem a dizer.

Bom, não gosto de falar da minha mãe, mas preciso ter coragem para abrir o coração e expor minha situação, então, como um exercício criativo, tente imaginar: suponha que você acorde e faça o café. Até aí tudo bem. Aí então vc senta na mesa e sua mãe está sentada do outro lado, amargurada com a vida. Ela diz que tomaram tudo o que é dela, e você diz que as pessoas devem continuar apesar dos pesares, mas ela nem deixa vc continuar a falar e já emenda dizendo "quero o que é meu de volta! Você defende eles". Ou, ao invés disso, ela pede pra vc voltar pra sua ex-noiva e se humilhar a ela (pra não dizer coisa pior)... enfim... depois do café, você vê a casa toda bagunçada, suja, desarrumada. Os móveis caindo, esfarelando. De repente você ouve uma música: vem do celular da sua mãe, e ela começa a cantar marchinhas de carnaval, endereçando a letra da música aos vizinhos, ou depois, ouve Roxette, como se fosse uma lembrança perdida da única coisa boa que já teve na vida. Você decide ignorar e fazer as tarefas domésticas (que são muitas). Então ela te pede pra vc fazer tudo pra ela: arrumar a cama, lavar as roupas, jogar água no quintal, varrer os cômodos. Mas, naquele dia vc está deprimido e não quer fazer tanta coisa. Mas, mesmo assim, ela te dá ordens, como se seus sentimentos não valessem de nada. E vc faz. Porque as coisas feitas trazem paz. Na hora do almoço, ela desliga a TV num ato autoritário, ou, nos raros momentos em que ela permite vc assistir, ela despreza tudo o que o repórter fala. A única coisa que pode ser vista é a câmera. As vezes, ela passa horas olhando para a TV, imóvel, vigiando a rua, os vizinhos. E esquece o fogão ligado, a cafeteira ligada, a torneira do tanque aberta, o arroz queimando. A tarde vc sai pra caminhar, e ela insiste pra vc não ir, diz que vai passar sua roupa e que se vc sair de roupa amassada vão zombar dela. Mas, vc não tem tempo pra passar roupa, precisa pagar contas, sacar dinheiro no banco. Mas ela te tortura com essa chantagem psicológica. Enfim vc sai um pouco de casa, respira ar fresco, pensa na vida. E, quando volta, tudo parece bem, mas os vizinhos começam a rir e ela grita, xinga, ameaça, zomba, provoca, ri de volta... e aquilo tudo faz parecer que você está no meio de um palco, personagem de uma peça de shakespeare, da qual nunca terá fim aparentemente...

E isso... é apenas um pouco, só um pouco, do que é conviver com a minha mãe...

Mas, continuando, adicionei algumas garotas para tentar a sorte. De novo, "atirando pra tudo quanto é lado". Teve uma garota que me deixou mensagem na steam, vou ver depois. E, felizmente, uma garota me adicionou no facebook. Fiquei muito interessado, mas ela ainda não retornou desde então. Sobre essa última, acho que vamos nos dar bem. Sinto que não vou precisar me esforçar para ter a atenção dela, mas isso depende dela aparecer mais vezes...

E... é isso eu acho. Falei demais por hoje. Até, mais do que deveria falar.

O dia está acabando. E, esse horário da noite, das 22h às 01h, é o único horário em que posso ter paz, pois é o momento em que minha mãe se cansa de tudo e deita e dorme. Porém, nessa hora do dia eu já estou muito cansado e sem forças...

E assim vou vivendo... espero ser chamado no concurso, viver uma nova história... ter a chance de recomeçar... porque não aguento mais falar sobre os mesmos desabafos...

E farei algo diferente essa semana. Vou ficar mais tempo fora de casa. Não dar tanta prioridade aos micro-trabalhos, mas ao meu lado emocional e voltar a estudar. Eu vou precisar... exercitar meu lado social e humano... pois vou ter que ir em lugares como cartório e policlínicas para pedir a documentação necessária para em caso de posse... E... eu preciso causar uma boa impressão nessas garotas também... alguém precisa ficar... só alguém, meu Deus, é tudo o que eu peço... uma... companhia...

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