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 Bom... eu tive um mês de junho conturbado, cuja tensão ainda não passou completamente. Queria resumir um pouco do que aconteceu.


Junho tinha começado bem. Eu suportei o dia dos namorados e, depois, fiz uma live no meu canal que foi incrível, porque a maioria dos meus amigos virtuais participaram, e ver tanta gente que me importo se importando comigo também fez eu me sentir muito bem...

Mas, no dia seguinte, a bomba d'água parou de funcionar. Esse é o pior problema que pode acontecer nessa casa.

Não podíamos chamar o conserto no domingo, então ficamos um dia vivendo a base de galão d'água e garrafinhas. No dia seguinte, precisamos entrar em contato com a imobiliária, para que eles pudessem falar com o proprietário e chamar o pessoal que verifica o poço... e até que a comunicação entre nós e eles tivesse terminado numa marcação do dia em que viriam aqui, ficamos mais três dias sem água, precisando da ajuda do meu cunhado para vir trazer os galões cheios... Senti dores na coluna e nos braços, por carregar muito peso. Já não conseguia nem jogar também.

Na quarta eles vieram, trocaram os canos, limparam o poço... para, no final do serviço, identificarem que havia um defeito na bomba. Enchemos a caixa d'água com o último esforço da bomba defeituosa, e minha irmã teve que acordar com o rapaz a instalação de uma nova bomba. Felizmente, o custo foi dividido com o proprietário. Mas tivemos que esperar mais um dia... e enquanto isso, minha mãe dava seus escândalos: gritos, ataques histéricos, batidas de porta... para ela, era uma humilhação ficar sem água. Para quem teve uma vida de madame no passado, não é fácil viver com poucos recursos. Mas o problema não é isso: o problema é ela não ajudar em nada. Não dar um centavo para o conserto da bomba; não procurar uma casa nova pra morar; não ter o menor interesse em mudar essa situação. Eu e minha irmã ficamos sempre encurralados, sendo obrigados a viver a vida dela, a resolver os problemas dela, devido a alienação mental que ela tem. É muito doloroso.

No outro dia, o rapaz instalou a nova bomba. Pensei que as coisas voltariam ao normal, mas... no outro dia, a bomba não estava ligando mais. Foi o estopim para que eu me desesperasse por completo. Depois de saber daquilo, não fui mais o mesmo. Minha irmã chamou o rapaz e o ajudante, e eles imediatamente vieram ver o que estava acontecendo. Descobriram que a bomba puxava com pressão demais, e estava puxando areia. Na verdade, o poço dessa casa está condenado. Talvez, em alguns meses ou até em um ano, o problema volte a acontecer. Mas o pânico que essa situação me causou, fez com que minha rotina mudasse: todos os dias, acordo com o coração pulando pra fora do peito. E a primeira coisa que faço ao acordar é ligar a bomba. Fico pensando: "hoje vai ser o dia que ela não vai funcionar mais" ... Bom, passou uma semana e até agora ela está ok, mas ainda assim... não consigo relaxar, não consigo confiar.

Esse é apenas mais um trauma para a coleção de traumas familiares. A minha mãe gritando com a minha irmã, o barulho da bomba sem força para puxar a água, os canos jogados no canto do quintal, os galões d'água espalhados pela casa... todo esse cenário sempre traz de volta os sentimentos que eu senti, a angústia e a vontade insana de desistir de tudo, de fugir pra sempre de casa... Ligo a torneira e desligo o mais rápido possível. Só uso o chuveiro e a descarga do banheiro uma vez ao dia. Bato as roupas no dia em que a bomba fica ligada, para compensar a água gasta na lavagem. Estou paranoico, transtornado, desnorteado. Aguardando o instante em que tudo vai piorar.

E ontem fiquei me perguntando... se é justo pensar assim. Se um dia não vou ter um alívio. Se todos os dias serão tristes, infelizes, sem esperança. Se não haverá um dia em que a vida vai me surpreender, se alguém vai aparecer e deixar meu dia mais feliz, e desejar caminhar do meu lado... Eu estou cansado do sofrimento, da dor. 

Anteontem, dia 23, eu e a May faríamos 15 anos juntos. Não acredito que foi há tanto tempo atrás... mais de uma década, e parece que foi ontem. E ainda trocamos e-mails e nos ajudamos! Senti muita falta dela... lembrei de muitas coisas. Lembrei da avó dela, de estar naquela casinha, brincando com o cachorrinho Bob, com nossos gatinhos... dela dando comida pra Diná... da gente assistindo Alice, Desventuras em Série, A casa do Lago, entre outros filmes que ela sabia escolher bem. Eu vivia naquela época. Mas hoje, não é nem fagulha do que era antes...

Também pensei na Fátima... e eu não esperava que, nessa situação de angústia, a lembrança dela fosse me ajudar. Mas ontem eu me acalmei, graças as lembranças que tenho dela. Seu jeito meigo e divertido de me fazer sorrir... percebi o quanto ainda amo e me importo com ela, mesmo depois de algumas decepções. Depois de eu ter sido ignorado por pessoas ontem... eu valorizei o momento que passei com a Fátima... era melhor quando eu estava com ela... do que ficar atrás de alguém que diz que não tem ânimo pra conversar mas conversa com outros, ou com alguém que te deixa esperando por seis dias...

Mas pensar no passado dói demais. Eu não tenho mais essas pessoas. Cada um seguiu seu caminho, e eu só aceitei... aceitei que não posso ter ninguém em minha vida. E isso está piorando... a minha falta de fé está chegando também nas minhas relações com as pessoas... não acredito mais que alguém vai me suportar. Quem suportaria alguém com essa rotina, de trabalhar o dia todo pra fazer uns trocados na internet, sem tempo pra ficar online? E ainda, com uma mãe maluca que te coloca em estado de pânico com frequência? Quem faria o esforço de salvar essa pessoa?

Por isso que entendi, a base de muita dor, que só eu posso salvar a mim mesmo... como diz em Berserk "seja vc mesmo o milagre". Porque, esperar q os outros tenham compaixão e persistam por vc, é como uma flor no deserto esperando pela chuva...



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