Hoje não resisti. Fui ver o perfil da Suki no Facebook.

É verdade que ela largou aquilo e não atualiza faz tempo. O status ainda está como solteira. Sei que ela estava planejando se casar, e essa foi a última coisa que eu soube...

O coração ficou no peito. Porque, ao ver tudo aquilo de novo, lembrei do meu passado. Das amizades que eu fiz. Das pessoas com quem interagi. Era um nível social muito diferente do que convivo hoje.

Não digo no sentido financeiro, nem no status quo. Mas na qualidade de vida e educação das pessoas. Era outro nível.

Suki é, de fato, uma cientista. Eu parei no caminho. Parei porque não sabia o que queria. Por motivos financeiros e familiares também.

Eu senti muita falta da Suki esses dias... E toda vez que releio seus e-mails, tenho a certeza de que eu e ela estávamos na mesma sintonia... como disse aqui uma vez, ela estava namorando na época e eu não sabia. 

Sempre foi muito difícil eu me aproximar, embora ela quisesse. Eu sabia que eu não cabia na realidade dela, a realidade da qual ela estava se projetando. Eu não posso nem ser comparado ao rapaz que ela casou. Não tenho nem 1% do currículo que ele tem...

E isso me deixa triste, porque sempre me motivei em estudar. Rever o perfil da Suki me fez lembrar desses tempos. Eu também me projetava para um caminho científico, assim como ela fez... mas eu não tinha dinheiro nem estabilidade. Além disso, tinha minhas crises, minha imaturidade emocional. Coisas que nunca senti nela.

Nunca poderia trilhar o mesmo caminho, ao lado dela... o caminho que ela trilhou... mas não me canso de lamentar, porque não importa o quão impossível fosse: nunca fui tão feliz na vida como naquela noite que jogamos Gunbound. Nunca alguém fez eu me divertir tanto e esquecer da vida, dos problemas, dos fracassos, como ela fez comigo naquele dia. Não só naquele, mas em muitos outros. Tudo que eu desejava, ela fazia crescer mais e mais... de modo que fiquei doente quando perdi o contato dela na primeira vez. Por sorte, a vida me trouxe a Paty, e depois a May... e por um tempo soube lidar com a ausência dela.

Mas ainda assim... mesmo depois de tantos anos... me arrepia saber que nós dois lembramos daquele dia como se fosse ontem. Como disse antes, estávamos na mesma sintonia. 

Se a gente tivesse namorado, nem que fosse por uma semana, eu acho que teria valido a pena minha vida. Todo sofrimento causado, toda dor e sonhos que morreram... toda essa desventura teria sido compensada com o "eu te amo" da Suki... mas... eu fugi. Eu tive medo. Eu não estava no mesmo nível dela. E, quando duvidei disso, o tempo já tinha passado, e ela achou alguém... mas o carinho dela, as palavras dela, ainda circulam em meu sangue...

Será que um dia vou sentir isso de novo? Eu cheguei perto nos últimos anos. Pensei que viveria momentos maravilhosos, mas tudo se ruiu. E agora... eu não sei no que acreditar...



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