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...e aqui estou eu, de novo, sozinho, mas disposto a escrever.

Durante essa jornada de estudos, que conciliei com a volta ao psicólogo, se passaram oito meses. Na verdade, faz um ano exatamente que estou estudando, mas quero falar mais desse período que vem desde agosto de 2022.


Antes disso, dizer que eu senti a necessidade de escrever novamente no blog, e que achei isso necessário novamente. Acho que será importante para eu reler no futuro...

Então, vamos lá... desde o falecimento do meu pai em agosto do ano passado eu passei por um período de profundo isolamento e questionamento sobre o significado de existir. Tive que ressignificar muitas coisas. O ano de 2022 terminou forte, de maneira pesada, a ponto de até o narcisismo da minha mãe ceder... ela aceitou pagar um psicólogo pra mim, e desde então venho frequentando quase que todas as consultas mensais.

No entanto, as coisas desandaram esse mês, creio que naturalmente. Seja por desgaste da repetição de assuntos, seja da falta de novidades na terapia, acho que tanto eu quanto a psicóloga estamos nos empenhando de um modo estranho, sem a mesma sincronia de antes. Senti, no tom das palavras dela, em suas reações, que minhas falas são previsíveis, e não sei quanto cansativo deve ser ouvir as mesmas coisas sempre e saber que não houve progresso. Sei que o meu caso é complicado: não sou uma pessoa de mudar de comportamento tão fácil. Não faço troca que eu não possa ver que vale a pena o esforço da mudança.

Acho que ficamos desgastados no geral. E eu considero suspender o tratamento. Eu tive uma necessidade grande depois que fiquei de luto com relação ao meu pai... mas eu superei e agora estou sossegado e tranquilo para lidar melhor com as minhas emoções. Encontrei conforto (não exatamente paz), para pelo menos planejar e pensar no que irei fazer daqui pra frente.

Mas ainda vivo uma vida caótica e solitária. A solidão não me deixou. Tem sido assim o ano todo, e eu tentei fazer algo a respeito. Mas não é sobre tentar. É sobre gostar de si mesmo.

Eu percebi uma coisa que estava faltando perceber: que não irei me curar desses traumas somente com a terapia ou força de vontade, mas com a certeza de que posso ter pessoas ao meu redor.

Eu comecei a refletir sobre a importância de ter pessoas. Amizades, relações... mesmo que doam, parece ser o custo de ter uma vida melhor. A dor sempre vai aparecer, sendo a dor da solidão ou do amor que te abandona... então, qual das dores escolher? Na verdade, ninguém quer dor, mas qual nos prejudica menos? A verdade é que não tem resposta pra isso. No fundo, todos nós ficamos flutuando entre esses dois lados, e escolhemos aquele que arde menos... e ali ficamos na zona de conforto.

Zona de conforto... foi uma coisa que a minha psicóloga repetiu infinitas vezes pra mim. Zona de conforto... do sofrimento. É algo que eu preciso aprender a recusar. Entender que nem tudo se orienta em função do sofrimento, e por mais factual que seja a frase "viver é sofrer", ainda assim, ninguém é maluco de procurar sofrimento pra si o tempo todo. Um dia, nosso instinto animal fala conosco e nos alerta: "Quero ter uma vida simples. Ter o prazer de comer um bolo no café da manhã; de sorrir ao ver um pássaro voando na praça; ver o meu time de futebol ser campeão; uma promoção no emprego; comprar o jogo que esperei por anos; sair para jantar com a minha namorada; Quero apenas isso, Carlos: viver simples. Sem um tabulado de regras e conjecturas, sabendo que antes do pensamento o instinto humano (sobre)vive pelo sentido. Apenas me deixa viver simples."

...e às vezes concordo com o meu lado instintivo e o permito passar... mas nem sempre funciona. Porque tenho responsabilidades de adulto, e elas me trazem de volta ao Carlos homem moderno. E aí, esqueço de tudo isso que escrevi... passo horas jogando, fazendo o máximo para esquecer o lixo de vida que eu tenho, que eu fui trocado, que eu sou insuficiente, medíocre, incapaz e tudo mais...

(...)

Esses dias, pensei muito no meu passado. Pensei na Suki, como senti falta dela! Pensei nas minhas ex-namoradas (todas elas). Seus recados, suas frases de amor, de raiva, de separação, de declarações de amor para um outro alguém que não era eu... no final todo mundo se foi, e eu fiquei sozinho...

Mesmo tendo ouvido "te amo", mais de oito garotas (independente de rolar namoro ou não), acho até que perdi a conta... até garotos me amaram! Mesmo assim, nunca fui suficiente ou capaz de administrar minhas imperfeições para uma situação em que pudessem ficar... pelo menos por mais tempo.

Ao mesmo tempo, eu entendi que não sou só o único que sofre com isso. A dor do meu último relacionamento me fez entender que as pessoas também tem corações partidos, ficam abandonadas, tristes, solitárias, carentes... não sou o único. É que alguns não deixam transparecer tanto isso. Se remendam com ira, ódio, ou mentem pra si mesmos, criam um mundo ilusório em que tudo está bem, e quer saber? Não acho que seja tão errado isso. Porque, talvez, seja a imaginação o presente que Deus nos deus para encontrar a felicidade. No final das contas, essa imaginação, de você projetar ser alguém que talvez você não é ainda, mas que gostaria de ser, essa imaginação te mantém vivo por dentro e demonstra sua beleza para os outros. Talvez seja a imaginação que criamos a regadora do nosso jardim... "cuida primeiro do teu jardim para que venham as borboletas..."

Eu lembrei de quando a minha psicóloga me disse que idealizar algo que estava ao meu alcance não era ruim. Eu tive esse desejo esses dias, sabe? De voltar a me ver como eu gostaria de me ver... e não de me olhar no espelho e reforçar sempre a imagem do Carlos deprimido e fraco.

Eu percebi que essa minha trajetória de estudos é motivada pelo desespero de provar que sou capaz de cuidar de mim mesmo, quando ninguém mais quiser fazer isso por mim. Quando todos me abandonarem, só terei a mim mesmo. Foi a maior lição que aprendi nos últimos anos. Eu não podia mais ficar naquele mundo, eu só... queria me libertar daquela prisão, do pesadelo de saber que a qualquer momento poderia ser deixado. De que não se importariam com os meus sonhos, minha esperança, meus objetivos e toda a fé que carrego neles... eu não podia mais abrir mão de mim mesmo, para ver os outros bem comigo. Porque, ao menor sinal, me deixariam de novo. E eu estaria ainda mais fraco e desesperado. Precisei quebrar o ciclo, com todos. Foi necessário. Mas agora que as coisas estão mais claras pra mim, eu preciso restaurar minha fé nas relações com as pessoas. Não posso seguir estudando e fazendo freelas na internet. A vida não pode ser só isso, é muito pouco. Tudo isso que faço é para ter a oportunidade de ter bons momentos de novo. Não apenas comigo mesmo...

Há aspectos da minha vida que estou ignorando devido a missão que coloquei a mim mesmo, de estudar. Mas, não adianta dirigir um carro e ir de A a B se o carro está sem gasolina, se não tem freio, se está enguiçado. É necessário que o carro funcione. Sei que minha idade não ajuda. Sei que cada dia mais, será muito mais difícil fazer novos amigos na internet (ainda mais reavivar a confiança em relacionamentos virtuais, mas isso é assunto pra outro dia). Mesmo assim... alguma coisa precisa ser feita. Senão meus objetivos perderão todo sentido, assim como o árduo esforço que tenho feito ao estudar todos os dias...


Mas enfim, acho que falei demais. Cá estou falando sozinho pelos cotovelos...




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