Virtual x Real ...
Antes de ir dormir, gostaria de desabafar um pouco. Sobre o quê exatamente eu não sei...
Vou evitar citar nomes dessa vez. Enfim... S. é uma amiga que eu tenho, uma amiga muito importante pra mim nos últimos anos. Nos envolvemos bastante, com altos e baixos... Eu e S. passamos um tempo jogando Final Fantasy XIV e ela foi, durante muito tempo, uma boa companhia pra mim. Até que... perguntei se S. estava gostando de estar comigo, já que ela havia contado coisas pra mim que normalmente não contaria.
E ela disse que ela era assim com todo mundo, que isso não fazia diferença...
É lógico que me doeu, mas vindo dela não fiquei surpreso. Ela nunca iria me corresponder. Ainda assim, ela é a pessoa perfeita pra me tirar da solidão por um tempo. Mas eu fiquei me perguntando se não mereco algo melhor. E será que esse algo melhor existe?
Eu já falo sobre relacionamentos aqui a um bom tempo... e tento evitar não falar muito. Mas talvez seja necessário colocar umas coisas pra fora, sem pensar em script ou qualidade do discurso...
Eu quero falar de relacionamentos virtuais. E dizer que, pela primeira vez em mais de dez anos, finalmente me convenci de que essas relações virtuais são frágeis e de pouca confiança. Levei em consideração muitas coisas ao concluir isso, mas o principal foi a experiência que vivi com três pessoas. Duas delas eu já citei aqui várias vezes, e vou falar delas hoje. A última, foi a pessoa mais importante pra mim nos últimos anos, por isso não vou mencionar nada sobre ela.
Quero me apegar a J. e a V. nesse momento. Essas pessoas eu conheci virtualmente, em momentos de fraqueza. As duas tem pensamentos completamente opostos: enquanto J. é religiosa, gentil e ao mesmo tempo ansiosa e egoísta, V. é radical, sarcástica, insensível e vazia. Ambas me acompanharam em momentos trevosos da minha vida. Confiei em ambas, e as duas me deixaram sem cerimônia. Por motivos diferentes.
V. só queria se livrar de mim mesmo, enquanto repetia várias vezes: "você me ama, cara.". Toda minha lealdade e respeito não passava de uma brincadeira pra ela. Embora ela fosse uma pessoa divertida, ela me fez esquecer a Drach. Se não fosse por ela, talvez eu ainda insistisse com a Drach. Mas eu gostava do lado intelectual de V., sua paixão por Percy Jackson e séries da Netflix... era uma pessoa moderna e contemporânea. Mas só ficara nisso. Anos depois, percebi como me deixei levar apenas por algumas virtudes que a pessoa tinha... pois por dentro era uma pessoa de mau caráter. Ela me adicionou no facebook e umas semanas depois me removeu e eu não sabia porque. Fui ver o twitter do meu amigo que ela seguia, meu amigo perguntando: "e o lupinho?" (meu apelido na época). Ela então respondeu: "fiz merda com o lupinho kskskskks". Bom... eu nunca tinha sido rejeitado dessa forma, com alguém rindo de mim. Ainda mais uma pessoa que eu tinha demonstrado amor. Mas ela fez, sabendo que eu a amava. Eu percebi que conhecia muito pouco a pessoa, que aquilo que ela demonstrava no twitter era longe de ser sua verdadeira face...
J. me enviava mensagens o tempo todo, como se eu fosse um irmão mais velho a quem ela podia contar, normalmente angustiada porque a pessoa que ela amava não lhe dava atenção. Um dia, ela me enviou dois vídeos, chorando e desabafando, dizendo que gostava muito de conversar comigo. E esses vídeos, na verdade a voz dela, clamando por ajuda, ecoaram muito dentro de mim nos últimos meses... e eu acreditava, na época, que ela precisava mesmo de mim. Mas um dia, ela parou de me responder, e desativou o Facebook, ignorando todas as minhas mensagens. Meses depois, descobri que o garoto que ela amava estava namorando outra pessoa. Foi aí que eu me dei conta do que eu significava pra ela... Eu tinha sido usado... Não percebi a personalidade egoísta e manipuladora dela...
Sobre esses dois casos: pode parecer que estou me fazendo de coitadinho. Eu gosto de ser sincero. Fui injustiçado nesses dois casos. Não fiz nada que merecesse desprezo da parte delas. Nas vezes em que eu errei com os outros que me deixaram, percebi o erro um tempo depois, e reconheci que tinha falhado nas minhas relações. A Paty, por exemplo, minha primeira namorada. Falei dela muitas vezes aqui. É claro que me doeu ficar uma semana sem resposta dela, mas hoje vendo os e-mails que eu escrevia, reconheco os meus erros. Por isso ela não se inclui nesses casos, porque mesmo depois de separados, criamos uma relação de respeito mútuo. Não desejamos o mal um ao outro e queríamos ver os dois crescendo no futuro. Para as pessoas que me deixaram, como a Drach por exemplo, eu nunca desejei mal. Porque ela não me menosprezou nem cuspiu fora os momentos que tivemos juntos. Nunca demonstrou ingratidão ou indiferença, nada disso.
Mas para essas duas pessoas, V. e J. ... eu nunca mais quero vê-las, nem saber da existência delas. Vindo de mim, é uma atitude difícil de tomar... mas eu comecei a sentir um pouco de ódio quanto a isso. Ódio por perceber como é fácil para uma pessoa no mundo virtual descartar a outra, sem a menor responsabilidade afetiva. Como é fácil criar uma persona de si mesma, fingir que ama alguém, e quando cansar desse papel a rejeita, descarta, despreza, dá ghosting, some... como é fácil agir assim na internet.
E eu fiquei chocado quando entendi a verdade das coisas... não consigo mais confiar em ninguém, porque me apeguei as relações virtuais. E eu tive experiências muito ruins, de pessoas que não valorizaram um pingo do que eu faço. Na verdade, eu até encontrei pessoas que valorizaram, mas também não soube valorizar elas. E, toda vez que caio nessa armadilha, tento sair disso. Tento dar valor ao que eu tenho hoje, aos meus amigos que realmente ficaram e não desistiram de mim. É por eles que eu tenho que lutar. Mas, esses dois casos, me fizeram desacreditar muito de relacionamentos virtuais. E eu me pergunto se... talvez não tenha chegado a hora de por um fim nisso...
Talvez... a única forma de eu encontrar o que eu quero, ou seja, uma namorada e estabilidade financeira, seja na vida real. Talvez não exista mais nada a encontrar no mundo virtual.
Eu não sei ainda se isso está certo...

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