Escuridão, sonhos, saudade
Esses dias foram marcados de muita tensão pra mim. Em função da possibilidade do concurso ser cancelado, dos cachorros com carrapatos, da conta de luz vir com reajuste...
Pra variar, platinei Doki Doki e zerei Omori, dois jogos que abalam muito seu estado emocional, ao ponto de te deixar depressivo.
Também tentei aceitar mais a minha solidão. Aceitar que sou sozinho, que ninguém virá na minha ilha no Animal Crossing me visitar, que aquela pessoa que achei interessante na steam não está afim de conversar... tentei aceitar que sozinho, me pouparia de dores provocadas por defeitos humanos.
Mas o resultado disso foram dias completamente iguais, em que a mesmice reinava. Mesmo eu estando mais ativo, indo caminhar mais vezes, ou evitando turbilhão de sentimentos (como deixar de ver o perfil da minha ex por exemplo), não fui capaz de criar mudança.
A questão do concurso e das contas me colocaram de volta a um estado de pessoa sem esperança, de modo que doía iniciar o estudo de uma apostila básica de arquitetura de computadores. Minha mente me autosabotava, dizendo que aquilo tudo estava sendo em vão, que o meu caso é diferente, não sou capaz de mudar meu destino etc.
Mas quando eu parecia mergulhar num estado de plena escuridão, a salvação veio em meus sonhos. Tive três sonhos esse mês, coisa que não costuma acontecer. Um deles foi com uma amiga importante pra mim, e senti ela viva dentro de mim. Senti que deveria fortalecer nossos laços. Descobri um pouco depois que ela tinha me seguido no instagram enquanto eu dormia. Ela pensou em mim enquanto eu dormia.
O outro sonho foi sobre uma garota fictícia, e o tempo todo o narrador do sonho dizia pra mim:
"She wants to be alive...
She wants to be alive...
She wants to be alive..."
Eu acreditei que isso se aplicava a mim. Como se alguma força, que transcendeu a mente de alguém, estivesse tentando me fazer levantar. Eu pensei na May. Lembrei do e-mail dela, das palavras dela. Doeu muita coisa que ela disse no passado. Mas eu sei que é genuíno o desejo dela de me ver bem, de sair desse estado. Ela sempre quis que eu enfrentasse a depressão. Eu preciso continuar, por ela também...
Preciso me movimentar, como minha psicóloga disse. Estou deixando as frustrações tomarem conta de mim, definirem o que eu sou. Deixando que a loucura da minha mãe controle meu estado de espírito.
Eu tenho que sair desse inferno. Mas preciso descansar primeiro, recuperar minhas energias.
E preciso lembrar das coisas que a May me disse, sempre. Ninguém me conheceu tão a fundo como ela. Não foi por acaso que ela disse sobre eu fazer as coisas "somente pra mim mesmo". Ela sabe o quanto o meu doei pelos outros, e quase nunca recebo nada em troca. Por isso me decepciono com as pessoas, e esqueco de mim. Ela sabia o que precisava ser feito...
Enfim... quanto ao terceiro sonho, foi meio que um pesadelo também. Lembro-me vagamente, ao ponto de não saber descrever.
Eu não posso evitar a tensão dessas coisas que estão acontecendo... mas preciso lidar com as coisas com maturidade e racionalidade. Eu sei que é difícil dizer isso, e ao mesmo tempo, me olhar no espelho. Eu lembro de quantas vezes já disse essas coisas, e nada mudou. Nunca tive muito poder para mudar. Algumas coisas, pra mudarem, dependem da gente ter dinheiro também. É. Infelizmente, o capitalismo influencia. Mas não é o momento de discutir capitalismo aqui.
Eu lembrei que também revi o vídeo da Juliana, minha amiga de 2020, a que eu tinha um crush. Estranho ela dizer no áudio que gostava muito de mim. Mas o problema não era isso, mas o desespero dela. Me pedindo ajuda. Quando vejo as pessoas mais angustiadas do que eu, entro em crise. Não sei explicar... mas lembro tanto do meu passado, de como já me senti... é como se eu voltasse no tempo, e isso dói demais...
Eu queria muito ter ficado ao lado da Juliana, eu devia ter pedido ela em namoro. Mas ela só falava do outro rapaz. Não tinha confiança pra avançar mais, e eu não estava tão certo dos meus sentimentos por ela. Por ela ser cristã, sabia que teria a dificuldade de eu me alinhar com a igreja novamente, de segurar o ato sexual até o casamento, entre outras coisas. Mas a ansiedade "cristã" que ela tinha, de agradar aos outros, de sofrer com o julgamento alheio de pessoas da família, isso eu entendo muito bem...
E tinha a questão da beleza também. A gente conversava sobre beleza filosófica, Albert Camus...
Enfim... resumindo, falei da Juliana, da May, da minha amiga, e poderia falar do Nyck também (meu amigo que falava sobre racionalidade). Mas vou deixar o Nyck pra outro dia.
Eu não queria mencionar os nomes deles, respeito a história deles. Mas, ao mesmo tempo, preciso deles aqui comigo. Todos são importantes pra mim...

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