Adeus 2022
Termina hoje o ano. Um ano repleto de decepções, mágoas, tristeza e dor.
O ano
do coração partido. Duas vezes.
O ano em que perdi meu pai, e me dei conta de
que nunca mais realizarei o desejo de cuidar dele por um dia ou abraçá-lo, nem
de ouvir a versão de sua história...
O ano em que fui humilhado por quem dizia
ser meu amigo. Abandonado, ignorado, esquecido.
Ouvi coisas muito ruins. Minha
tia dizendo que eu era um vagabundo, na semana do meu aniversário. A pessoa que
era obcecada por mim, tirando sarro de mim, sentindo prazer pela minha dor.
Rejeitado por quem eu amava, assistindo ela ser feliz ao lado de quem ela queria
estar, e ficou claro que eu era totalmente insuficiente. Depois, os estudos.
Estudando 3 horas por dia, agoniado e angustiado. Estudando para fazer a dor
passar, para acreditar num futuro melhor, para sair dessa vida de sofrimento.
Fui reprovado na prova da UFRJ. É verdade que 90% dos candidatos foram. Mas o
meu esforço não foi ... suficiente.
E o que dizer da minha mãe louca? Gritos,
xingamentos aos vizinhos, ataques histéricos que nem mesmo uma pessoa irritada
faria, gastando sem parar, sem nem mesmo anotar as compras que parcelou. Perdi o
poder de fazer as compras. Sem poder fazer dieta, engordei.
Peguei covid esse
ano. Dor no pulmão, cansaço extremo, olfato com cheiro de lixo. Um horror. E foi
pela covid que perdi o meu pai. O pai que só convivi até aos 4 anos. O pai que
nunca abracei. Apenas ouvia um "te quiero" em chamadas de vídeo no whatsapp. E é
isso.
Escrevi email para a pessoa que me salvou do suicídio. Ela me respondeu,
voltou a frequentar o blog. Mas ficou nisso.
E cheguei no mês de outubro e tive
outra surpresa desagradável. Pensei em largar tudo de novo, mas dessa vez
encarei os fatos com maturidade.
Desejei muito me matar esse ano. Não parava de
me odiar, de sentir culpa de tudo. Em abril, acendi a boca do fogão e me embebi
de álcool. Minha irmã me conteve. Fui ao psicólogo no SUS. Marcaram a consulta
no mês seguinte, mas a psicóloga nunca mais retornou. Seis meses depois, perdi
meu pai, e enfim minha mãe demonstrou um pouco de compaixão, e pude fazer
psicólogo pelo particular. Estou tomando remédios que ajudaram na ansiedade e na
insônia. Mas, quando a angústia vem, não há nada que possa ser feito: nenhum
remédio ou argumento é capaz de diminuir a dor da angustia.
O resumo do ano foi
esse. Eu poderia acrescentar mais coisas, mas já são 23:40h e eu não posso mais
passar disso. Vou passar o ano novo em Limsa Lominsa, no Final Fantasy XIV. Pelo
menos não vou me sentir sozinho lá... E para 2023, eu não desejo nada além de
força para aguentar os problemas que virão e também muita sorte. Porque sonhos
acho que não tenho mais. Principalmente quanto a ter um novo relacionamento.
Acho que algo dentro de mim, que era belo e que reluzia, se quebrou...
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