Vazio.
Eu não deveria continuar um novo blog, por vários motivos. Mas voltei por dois desejos: o de reler todo conteúdo que escrevi até hoje, e o de narrar um novo capítulo (ou volume) dessa minha nova fase de vida. Um capítulo que eu considero ser o capítulo final.
Talvez esse tenha sido o ano mais difícil e triste de toda a minha vida. Nem o meu padrasto despejando a gente em 2014 foi tão duro como agora. Foi um ano repleto de tristezas, angústias e decepções. As humilhações dos familiares, as histerias da minha mãe e ela voltando a se endividar. Em seguida, minha melhor amiga se afastando de mim. E finalmente, a pior delas, a perda do meu pai...
Eu nunca fiquei tão fragilizado como agora. E nunca me senti tão insignificante como agora. Sei que não há nada que possa remediar essa dor. Ela continuará persistindo. Não há palavra que me convenca que dias melhores virão. Que eu arrumarei um emprego fixo. Que a minha mãe vai ser finalmente atendida no CRAS e controlar seus gastos. Ou que eu encontre um amor que me ajude a sair desse abismo...
Não há nada, absolutamente nada, que me convença de que as coisas vão mudar. Tudo que enxergo é um mundo escuro ao meu redor, um vazio enorme no peito, uma vontade de chorar intensa e constante... Um total desamparo e indisposição em fazer as coisas, até mesmo em sonhar ou ter metas... Nada faz melhorar o meu dia, nem mais nenhuma garota pode me trazer esperança nesse momento...
Eu acredito que não irei dar certo. Como ser humano. Como cidadão. Como qualquer outra coisa. Até pensei, se um dia tivesse cometido um crime, estaria melhor na prisão do que nessa casa...
A um ano atrás, eu estava estável. Dolorido, triste, mas estável. Coisas ruins aconteciam, mas eu tinha ânimo pra superá-las. Mas o que aconteceu esse ano me tirou dos trilhos. Foi forte demais. Foi como carregar uma cruz muito pesada... e eu já não suporto o peso dessa cruz. Minhas forças se esgotaram.
Eu não vivo mais por dias melhores. Eu vivo a espera de um milagre. Eu não acho que vá acontecer. Não acho que alguém irá me ajudar, porque para isso a pessoa precisa gostar de mim, e eu não consigo me abrir pra mais ninguém. Também não acho que conseguirei estudar. Minha última esperança estava depositada no meu pai, em morar no Chile com ele... agora que ele se foi, não tenho mais nenhuma saída senão contar com as minhas forças.
Eu queria ter convivido mais com ele. Mas não foi possível... isso foi devido ao que ele fez no passado também.
Enfim... agora eu não sei mais o que fazer. Não sei pra onde ir. Não sei como reagir. Eu nunca estive tão perdido em minha vida como agora. E para quem está perdido (já dizia o gato de Cheshire), qualquer caminho serve...

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