Às vezes me perguntam o motivo de estar sozinho. Eu digo que, uma vez, fui muito generoso e solidário com as pessoas, e abraçava com genuíno amor suas virtudes e defeitos, suas aflições e esperanças. Sempre me vi entre os outros, e não a margem deles. Porém, houve certo momento na vida em que criei expectativas por todo o meu esforço em ouvi-las, e raríssimas foram as vezes em que tive a retribuição por essa dedicação. Descobri o que é viver caminhando sobre pedras pontiagudas. Hoje, me pergunto se ainda vale a pena ser solidário, se vale a pena acreditar no altruísmo e no bem ao próximo, quando parece ser o destino do ser humano desapegar-se da humanidade para alcancar a sua própria liberdade. A vida é uma faca de dois gumes.
Infelizmente, depois de tanto sofrimento e decepção, hoje sou exatamente o oposto do que fui na juventude, embora alguns fragmentos ainda reluzem dentro de mim. Não ofereço mais amor gratuitamente: retribuo quando quero e quando posso. Só mantenho uma relação quando tenho certeza que posso confiar nessa pessoa. Porém, sei que isso não é o bastante, sei que isso faz de mim incompleto. O fato de eu ser o oposto do que fui no passado me deixa transtornado, porque existem dois Carlos que não se comunicam, e não sei quem é o verdadeiro. Talvez eu seja um caso raro de múltiplas identidades, porque estou sempre me camuflando para entender melhor a diversidade nas pessoas e encontrar respostas que preencham esse vazio.
Eu gostaria de saber como posso ter amor próprio com mais de um coração, mais de uma mente, mais de um corpo...?
Enquanto não tenho a resposta, prefiro estar só e não ser mais atingido pelas decepções. Cada dia mais me sinto incompreensível e um fardo para as pessoas. Só que, desta vez, vou fazer diferente. Vou tentar achar uma ligação entre essas duas identidades que existem em mim e tentar moldar uma identidade única, incorruptível e plena.
Infelizmente, depois de tanto sofrimento e decepção, hoje sou exatamente o oposto do que fui na juventude, embora alguns fragmentos ainda reluzem dentro de mim. Não ofereço mais amor gratuitamente: retribuo quando quero e quando posso. Só mantenho uma relação quando tenho certeza que posso confiar nessa pessoa. Porém, sei que isso não é o bastante, sei que isso faz de mim incompleto. O fato de eu ser o oposto do que fui no passado me deixa transtornado, porque existem dois Carlos que não se comunicam, e não sei quem é o verdadeiro. Talvez eu seja um caso raro de múltiplas identidades, porque estou sempre me camuflando para entender melhor a diversidade nas pessoas e encontrar respostas que preencham esse vazio.
Eu gostaria de saber como posso ter amor próprio com mais de um coração, mais de uma mente, mais de um corpo...?
Enquanto não tenho a resposta, prefiro estar só e não ser mais atingido pelas decepções. Cada dia mais me sinto incompreensível e um fardo para as pessoas. Só que, desta vez, vou fazer diferente. Vou tentar achar uma ligação entre essas duas identidades que existem em mim e tentar moldar uma identidade única, incorruptível e plena.
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